sábado, 4 de abril de 2015

Um ser cosmopolita: O meu muito obrigada à Moçambique!

Para falar um pouco como eu me senti pelos 2,5 anos que morei em Moçambique, vou utilizar uma definição que acho interessante, o cosmopolita: "O cosmopolita é aquele que tem a necessidade de se envolver com o Outro. Ele possui uma abertura para experiências culturais divergentes, na busca de contrastes. As viagens internacionais não são suficientes para tornar alguém um cosmopolita. Um cosmopolita não negocia com outra cultura. O estado de um cosmopolita seria encaixado no processo de transculturação, adquirindo uma nova cultura sem que a antiga seja esquecida ou superada. Um processo totalmente de desenraizamento, sem interesses pessoais de cunho profissional ou econômico, apenas a vontade de conhecer o desconhecido."
Pensei em contar nesse post todos os momentos difíceis que passei, mas eles foram tão pequenos perto de todos os momentos bons e pessoas maravilhosas que conheci. O meu MUITO OBRIGADA A MOÇAMBIQUE, esse país que me acolheu tão intensamente... Esse post é para ser pequeno, apenas o meu vídeo de despedida e uma frase que usei no post quando completei um ano lá...


Deixei a minha casa para começar uma aventura, uma aventura que daria um livro, um filme, uma novela ou apenas uma aventura que com certeza já mudou a minha vida... 



Victoria Falls: um Patrimônio da Humanidade na África

Uma das principais atrações turísticas da África, as Cataratas Victória (ou Victoria Falls em ingles) localizam-se no rio Zambezi, na fronteira entre a Zâmbia e o Zimbábue. Os nativos chamam-a de Mosi-oa-Tunya, que significa “fumaça que troveja”. Em 1989, essa atração turísticas foi definida pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade.
Para fazermos essa viagem, reservamos cerca de 3 dia e decidimos como sempre dormir em Maputo para valer a pena o tempo. Uma dica que vale a pena checar: os melhores hotéis ficam no lado do Zimbábue, contudo as passagens aéreas para o lado da Zâmbia são quase 50% mais baratas. 
Você já esteve em 4 países diferentes no mesmo dia? Eu já e vou explicar o porquê. Acordamos em Moçambique e pegamos um vôo para a África do Sul e de lá um outro para a Zâmbia. Chegando na Zâmbia cruzamos a fronteira para o Zimbábue, onde ficava nosso hotel. E em todos os lugares recebemos um carimbo no passaporte! 
A cidade possui diversos hotéis luxuosos, contudo optamos por ficar em um hotel mais simples e bem localizado. Ele se chama Cresta Sprayview (www.crestasprayview.com) e eu recomendo. Outra recomendação que nos ajudou muito foi a agencia que faz todos os passeios chamada Shearwater (www.shearwatervictoriafalls.com). Além das belíssimas quedas d’água, na região pode-se aproveitar para realizar safáris, ver elefantes, leões e antílopes, fazer rafting, voar de helicoptero, pular de bungee-jump e realizar passeios de barco no Rio Zambezi.

No dia que chegamos, 17 de Setembro de 2013, fizemos o passeio chamado Evening Land of the Giants, no qual andamos em um elefantes, fizemos um safári e depois tivemos um jantar delicioso com carne de búfalo. Vou deixar as fotos falarem um pouco sobre a experiencia.

Elefantes aguardando para o inicio da Safari

Vou assumir que deu um medinho

Uma das minhas fotos favoritas
Rinoceronte branco
No dia 18 de Setembro, optamos pelo passeio chamado a Bridge Too Far, que incluia visita guiada ao parque, um passeio de helicoptero e um passeio de barco. Victoria Falls é a maior queda d’água da África, com altura variando de 61m a 128m. Cerca de duas vezes mais profunda e duas vezes mais larga (1,7km) que as cataratas do Niágara. No período de cheia são mais de 500 milhões de litros de água por minuto passando pelas cataratas. Em largura, Mosi-oa-Tunya é maior cortina de água do mundo, chegando a alcançar os 1708 metros. Em altura, com 99 metros, só perde para as Cataratas do Iguaçu, no Brasil. Mais fotos...
Entrada do parque 

Um quadro comparativo das 3 maiores cascatas do mundo

Paisagens lindissimas
Pela tarde fizemos um passeio de helicoptero, que não há palavras para descrever.

Preparando para entrar no helicoptero
O último passeio do dia ficou por conta de um cruzeiro romantico pelo Rio Zambezi com um pôr-do-sol divino.


Mas o dia especial ainda não tinha acabado, faltava ainda uma surpresinha... Fomos jantar no famoso restaurante The Boma.


Uma capulana para acompanhar

Carne de crocodilo





Queria dizer o que disse, e disse o que eu queria dizer...
O elefante é cem por cento fiel!

                                                Trecho de Água para Elefantes, de Sara Gruen


domingo, 1 de março de 2015

Cahora Bassa: Ugezi Tiger Lodge, Casindira Lodge e Moringa Lodge

Quando se pensava em um final de semana diferente em Tete, a primeira e única opção que se tínhamos era o Songo/Cahora Bassa. A barragem de Cahora Bassa situa-se no Rio Zambeze, na província de Tete. Trata-se da 5ª maior barragem do mundo, sendo hoje o maior abastecedor de energia hidroelétrica de África, beneficiando dela a África do Sul, o Zimbabwe, o Botswana e em breve o Malawi. 



O Songo é onde se situa a sede da empresa Hidroelétrica de Cahora Bassa. Trata-se de uma vila que em tudo se confunde com a própria história do gigantesco empreendimento. De Tete ao Songo são cerca de 120 km (cerca de 2 horas) de paisagens típicas com machambas (terrenos de cultivo agrícola), árvores secas e casebres de palha. Nos finais de semana, é possível ver comunidades reunidas perto de bares e em volta de um som dançando e fazendo muita festa.


Quando cheguei em Tete em 2011, o único local para hospedagem no Songo era o Ugezi Tiger Lodge (www.ugezitigerodge.com). Famoso pelo peixe tigre e pelos passeios de barco para pesca, ele é o que fica mais próximo do centro da cidade e da barragem. Nos passeios de barco é possível chegar bem próximo da barragem e claro ver muitos crocodilos e hipopótamos. 
A acomodação é em chalés com pouca infraestrutura (e muitas aranhas). O lodge tem em sua recepção diversos esqueletos de animais como crocodilo e elefante. 

Esqueleto de crocodilo
Em 2013, descobrimos mais dois lodges novos. O primeiro é o Moringa Bay (www.moringabaylodge.com) que fomos em Agosto de 2013 com grandes amigos. O lodge é novo e simples, mas com paisagens incríveis. Os chalés tem cozinha e panelas para se cozinhar. Quando fomos, o restaurante ainda não estava aberto, mas fizemos a nossa comidinha e nosso churrasquinho. A atração principal fica por conta da exuberante piscina com borda infinita para o lago. 



Piscina e lago

E claro que não posso esquecer de um pôr-do-sol belissímo!


O outro lodge é o Casindira Lodge, meu favorito! Ele é o mais distante (cerca de 4 horas), mas também o mais exclusivo. Tive a oportunidade de ir 2 vezes e iria muitas outras se pudesse. A pessoa responsável pelo local é um irlandês chamado Barry, que pode ser facilmente localizado pelo e-mail casindiralodge@gmail.com. 
A primeira vez que fui foi no final de semana do meu aniversário. Saímos cedo de Tete e depois de um probleminha no escapamento do carro, chegamos para o almoço. Para chegar ao lodge, a única maneira é através de um barco, emocionante. O lodge fica em um penhasco e possui 5 chalés e acredito que ficamos no melhor. A vista da varanda era indescritível e tanto o nascer como o pôr-do-sol nos deixaram boquiabertos.

Nascer do sol da varanda do quarto
No preço da diária, cerca de 225 dólares por casal, estava incluso 3 refeições e um passeio de barco. A comida era deliciosa e o pão fresquinho deles nem se fala. 
Fizemos o passeio no final da tarde para ver o pôr-do-sol e até demos uma arriscada (sem sucesso) na pescaria.


Uma das atrações do local é a criação de crocodilo (chamado de fazenda de crocodilo) para a venda do couro. O local tem exclusividade para a coleta de ovos em época propícia da margens do Rio Zambezi. O que achamos mais curioso é o preço do couro, que se tiver uma boa qualidade, pode chegar a mais de 100 dólares por cm2. 



Um pouquinho do passeio de barco pode ser visto nesse vídeo abaixo. A parte mais difícil do passeio é ter que ir embora desse paraíso de tranquilidade.




A vida é como a correnteza de um rio. Água que vai e não volta.